Minas é o segundo estado com maior estimativa de casos de leucemia até o fim de 2025

Neste mês, marcado pela campanha Fevereiro Laranja, de combate às leucemias, Minas Gerais ocupa a vice-liderança entre os estados brasileiros em um ranking nada comemorativo: por aqui devem ser registrados 990 casos da doença até o fim deste ano. São Paulo lidera as estimativas, com 2.600 possíveis novos diagnósticos neste mesmo período. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Para falar de leucemia é importante, sobretudo, considerar que existem vários subtipos da enfermidade, o que a torna bastante complexa. As leucemias agudas, geralmente, se desenvolvem de forma muito rápida e são marcadas pelo crescimento descontrolado de células sanguíneas na medula óssea, tecido líquido que ocupa o interior dos ossos onde são produzidos os componentes do sangue, glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, todos com função vital e de defesa do organismo.

A evolução da doença aguda pode variar de semanas a dias, diferentemente dos subtipos crônicos, cujo crescimento é mais lento. De modo geral o quadro engloba a chamada citopenia, ou seja, reduções da hemoglobina, células de defesa e as consequências disso, como sangramento, gengivorragia (sangramento das gengivas), quadros infecciosos inespecíficos e fadiga. Em casos menos comuns, há ocorrência de sangramento grave, com vômito de sangue e hematomas.

É importante procurar ajuda médica imediata diante dos primeiros sintomas. Toda suspeita de doença hemato-oncológica demanda investigação das células mutadas. Por isso, além de exames de sangue, é preciso realizar a chamada propedêutica medular, que consiste em uma análise apurada da medula óssea. 

O rastreamento começa com a coleta sanguínea de amostras da região para exames específicos, como o mielograma, o método é feito com uma anestesia local para que uma agulha seja introduzida no osso do paciente para a realização da aspiração de uma parte do tecido, com retirada de um pequeno fragmento de osso. Após ser coletado, o material é enviado para laboratório para identificação ou não de células malignas que afetam os glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas do sangue.

Junto ao mielograma, é feito também a imunofenotipagem, método de alta complexidade que analisa a maturação das células nas neoplasias hematológicas. Através dela é possível definir se um paciente é portador de uma leucemia e seu tipo específico.

Avanços nos tratamentos

De modo geral, a quimioterapia, tanto de alta quanto baixa complexidade, é o tratamento mais recorrente para a leucemia. Graças ainda aos avanços da medicina, hoje é possível tratar a doença com os medicamentos-alvo, que nos últimos anos vêm contribuindo para uma melhora significativa nas taxas de resposta dos pacientes.

Já a radioterapia, por sua vez, pode ser uma terapia adjuvante, que se soma ao tratamento, principalmente se o paciente precisar de um transplante de medula, mas – de modo geral – não é a primeira opção. 

Vale lembrar que nem toda leucemia demanda transplante de medula óssea assim como nem toda leucemia é tratável. Existem alguns subtipos crônicos, em que o paciente é apenas acompanhado, sem necessidade de se tratar. 

Quanto ao transplante, a necessidade será maior nas leucemias agudas, ainda assim nos pacientes mais jovens. Um idoso geralmente não é elegível [para o transplante] por se tratar de um procedimento bastante agressivo.

Por fim, é fundamental que as pessoas se cadastrem nos bancos de sangue estaduais - no caso de Minas Gerais o Hemominas - para se tornarem possíveis doadores de medula óssea, usada nos casos em que o transplante é imprescindível. 

A estimativa é de que a chance de se encontrar um doador compatível é de 1 em 100 entre doadores aparentados e 1 em 100 mil entre não aparentados. Por isso é necessária uma grande quantidade de voluntários para assim aumentar a possibilidade de medulas compatíveis nos bancos.

 

Saiba mais: Cadastrar-se como candidato à doação de medula óssea

Edson Carvalho, Hematologista