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Álcool e drogas matam mais de 3 milhões por ano, segundo OMS
O dia 20 de fevereiro é dedicado à prevenção e Combate às Drogas e ao Alcoolismo, um importante alerta: mais de 3 milhões de pessoas morrem por ano devido ao consumo dessas substâncias, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). A maioria dos óbitos anuais ocorreu entre os homens, conforme revela o documento: 2,6 milhões de mortes estão relacionadas ao uso de álcool, e outras 600 mil, às drogas psicoativas.
Devido ao grande número de perdas, o assunto, deve ser tratado como um problema de saúde pública. Essas mortes acometem, principalmente, a população mais jovem, muitas vezes mais vulnerável. Isso sem falar que este grupo possui acesso mais fácil às drogas e, muitas vezes, sofre forte influência dos amigos e do ambiente onde está inserido.
É um pensamento equivocado acreditar que as chamadas drogas lícitas (álcool, tabaco e cigarro, por exemplo) são menos nocivas que as proibidas. Muitas vezes a porta de entrada para o uso de drogas como maconha, crack e cocaína são justamente as legalizadas. É importante dizer também que algumas drogas erroneamente consideradas ‘menos perigosas’, como o álcool e o cigarro, são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de câncer e doenças cardiovasculares.
Entre os cânceres que, são mais atrelados ao consumo de álcool, há os localizados no trato gastrointestinal, como esôfago e estômago, tumores de cavidade oral, entre outros. Já o cigarro, além de todos esses tumores já mencionados, está associado à maioria dos casos de câncer de pulmão. Quando relacionados ao tabagismo, inclusive, esses tumores tendem a ser mais agressivos e quimiorresistentes. Essas substâncias causam dependência justamente porque agem diretamente em diversos receptores e neurotransmissores cerebrais, entre eles a dopamina, conhecida como hormônio do prazer e bem-estar.
O uso de álcool, cigarro e drogas ilícitas gera um aprendizado associativo entre a droga e o bem-estar. Assim, a pessoa segue buscando o entorpecente para voltar a se sentir daquela maneira. Como consequência disso, os neurônios passam a se acostumar com as doses de dopamina, criando necessidades de quantidades cada vez maiores dos químicos. Dessa maneira, nasce outra relação perigosa: aquela de que nada mais é capaz de oferecer o mesmo prazer que a substância.
Quanto ao risco que essas drogas podem oferecer para o surgimento de cânceres, no caso do álcool e do cigarro, por exemplo, o consumo a longo prazo e de forma crônica, provoca lesões no DNA de várias células, que por sua vez contribuem para mutações e com isso predispõem o indivíduo ao desenvolvimento de tumores. Por isso, a educação continuada e informações à população e profissionais da área da saúde, através de campanhas de conscientização e ações governamentais, são essenciais para aumentarmos as chances de garantir longevidade às pessoas, acompanhadas de medidas de promoção de saúde, consideradas as mais eficazes e preventivas.
Querer parar é o primeiro passo para quem enfrenta o problema, seguido da busca por ajuda médica especializada. É importante ainda que o Poder Público desenvolva, cada vez mais, políticas de incentivo à cessação da dependência química e estímulo a educação continuada sobre o tema para que as pessoas entendam que elas não só podem, como devem abandonar qualquer tipo de vício que venha a trazer problemas de saúde. Grupos sociais de dependentes químicos e ONGs de apoio são um caminho eficaz para quem quer se livrar do álcool, drogas e outras substâncias que causam dependência.
Informações sobre grupos de apoio para pessoas com problemas decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas: https://www.seguranca.mg.gov.br/index.php/supod/cread/grupos-de-apoio
Daniella Pimenta, Oncologista