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Câncer de intestino é o segundo mais frequente no Sudeste
O Brasil deve registrar até o fim deste ano, 45.630 novos casos de câncer de intestino, também conhecido como cólon e reto, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a doença é a terceira mais comum no país, atrás apenas dos cânceres de mama e próstata. As maiores taxas de incidência são registradas na Região Sudeste, onde a enfermidade é a segunda mais frequente entre os homens (28,62 por 100 mil) e as mulheres (28,88 por 100 mil).
Os sintomas mais suspeitos incluem sangue nas fezes, mudança do hábito intestinal, dor persistente na região, diarreia prolongada e anemia, entre outros indícios. Diante desse quadro, é importante, em um primeiro momento, procurar um clínico geral ou gastroenterologista para se submeter a uma avaliação, da qual fazem parte alguns exames complementares, como o hemograma e a colonoscopia.
Neste segundo método de rastreio, todo o intestino grosso, além da parte final do intestino delgado, pode ser visualizado por meio de um aparelho flexível com iluminação e uma câmera na extremidade. Introduzido pelo ânus, o dispositivo é capaz de detectar e avaliar possíveis lesões na região, como pólipos, antes que elas se tornem cancerosas.
Realizada geralmente sob sedação endovenosa, a colonoscopia permite que o paciente durma e não sofra nenhum desconforto durante o procedimento. Indicado para homens e mulheres a partir de 45 anos, o método também possibilita a retirada de tecido para biópsia e a realização de procedimentos simples, como a polipectomia (remoção de pólipos intestinais), mucosectomia e resseções submucosas, que podem mudar a evolução natural de uma lesão pré-maligna ou de um câncer precoce.
Quanto à eficácia dos tratamentos, o cenário tem avançado. Em estágios iniciais, a doença é combatida por meio de cirurgia e, com isso, a ressecção do tumor pode ser curativa. A quimioterapia, por sua vez, é indicada para fases mais avançadas, especialmente quando há metástases (disseminação da enfermidade para outros órgãos).
O mais importante é que a descoberta precoce, por meio de exames como a já citada colonoscopia, pode aumentar em até 90% as chances de cura. Já nas fases avançadas os tratamentos podem prolongar a vida do paciente e melhorar sua qualidade de vida.
Alimentação saudável é aliada importante na prevenção
A prevenção é a chave para reduzir os casos de câncer colorretal. Nesse sentido, manter uma dieta natural, com a adoção de práticas que priorizam alimentos ricos em nutrientes, é fundamental. O consumo de vegetais, frutas, grãos integrais, legumes e nozes é associado a um menor risco de câncer colorretal. Esses alimentos são ricos em vitaminas, minerais e fitoquímicos, que podem ajudar a diminuir o dano oxidativo ao DNA das células da região.
Por sua vez, alimentos ultraprocessados, ricos em conservantes, açúcares e aditivos químicos, são pobres em fibras, nutrientes importantes na prevenção dos tumores, principalmente porque regulam o funcionamento do intestino, diminuindo o tempo de contato de substâncias que causam a enfermidade com as paredes intestinais. A recomendação diária [de fibras] para um adulto saudável é de 25 a 30g.
Por fim, a manutenção de um peso corporal saudável é igualmente crucial, pois a obesidade é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de câncer.
Daiana Ferraz, Oncologista