Dia a dia dos brasileiros é repleto de alimentos com potencial cancerígeno

Muitas vezes na vida corrida, a alimentação prática e rápida acaba se tornando a preferência de milhões de pessoas. Prova disso é que, segundo um levantamento da Ticket - marca de benefícios de alimentação - feito com quase 10 mil entrevistados, 40% dos brasileiros pedem comida via delivery e 11% fazem de um a dois pedidos por semana. Recordista de compras, o fast-food é o item preferido dos consumidores em todas as faixas de idade: desde os menores de 20 anos (49,6%) até as pessoas com mais de 59 anos (31,7%). 

O grande problema é que a conta desse estilo de vida nada saudável acaba sendo cara no futuro, já que muitas das delícias típicas de um cardápio mais rápido/instantâneo, podem ser cancerígenas. A lista desses alimentos que apresentam risco foi determinada pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um alimento pode ser considerado cancerígeno quando associado a fatores inflamatórios, ou seja, o consumo ao longo dos anos pode agredir o DNA das células, contribuindo para falhas na multiplicação dessas estruturas. Isso favorece a ocorrência de mutações, que, por sua vez, podem provocar um crescimento desordenado [das células], ocasionando um câncer.

Desse grupo fazem parte, por exemplo, os ultraprocessados, que, como o próprio nome diz, passaram por muitos processos, incluindo adição de produtos químicos para melhorar o sabor, dar cor e adoçar. O consumo das carnes processadas como salsicha, linguiça, bacon, presunto, salame e mortadela, pode aumentar, principalmente, as chances de desenvolver câncer de intestino. Há ainda estudos que levantam a possibilidade de elas estarem associadas ao câncer de próstata, mama e pulmão. Até o peito de peru, tido como alimento mais saudável, também é um embutido, ou seja, possui componentes a base de nitrito/nitrato associados a ocorrência de tumores. Nesse sentido o recomendado é não consumir e se consumir, de forma bem moderada/esporádica.

Quanto às bebidas alcoólicas, segundo a OMS, o risco de desenvolver câncer aumenta com qualquer quantidade consumida, independentemente do tipo de bebida. O álcool está associado a uma infinidade de tipos diferentes de cânceres, entre eles os tumores de cabeça e pescoço, esôfago, estômago, mama, fígado e intestino. Por isso, a orientação médica, hoje é, se possível, não consumir.

Outro item possivelmente cancerígeno, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, é o aspartame, um dos adoçantes artificiais mais consumidos no mundo, usado para dar sabor aos chamados refrigerantes diet, com zero açúcar. O uso excessivo, em quantidades acima de 40mg por quilo de peso corporal, pode aumentar os riscos de neoplasias. 

 

Roberta Dayrell, Oncologista

 

Qual caminho para uma alimentação saudável em um mundo que nos prepara para o enlatado? 

 

O caminho para manter uma alimentação 100% saudável, mesmo em um mundo que estimula o fast food e as comidas instantâneas, é não renunciar ao planejamento alimentar. Planejar as refeições semanalmente, o que significa fazer compras com uma lista e prepará-las de forma caseira em dias de folga, pode ajudar a manter uma dieta natural e evitar o consumo de alimentos processados.

Há ainda, opções práticas e saudáveis, que nem precisam de preparo, como frutas, iogurtes, castanhas e cereais integrais. O mais importante é se atentar que a qualidade da nossa alimentação, hoje, está intimamente atrelada às nossas condições de saúde no futuro. E essa regra não se aplica apenas ao câncer, já que uma série de outras doenças, como diabetes, hipertensão, obesidade e problemas cardíacos também estão associados a maus hábitos alimentares.

 

Silvia Carvalho, Nutricionista