Setembro verde: previna-se do câncer colorretal

E não são apenas fatores genéticos que contribuem para o desenvolvimento desta neoplasia, que afeta um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. Os hábitos de vida têm grande impacto para o surgimento desse câncer. Entre os fatores de risco, podem ser citados a obesidade, sedentarismo, dieta deficiente em fibras e rica em carnes vermelhas, processados e industrializados, tabagismo e alcoolismo.

 

Em relação aos sintomas do câncer de cólon, podem ocorrer alterações no hábito intestinal do paciente, incluindo diarreia ou constipação, além de cólicas, sangramento nas fezes, fraqueza, náuseas e vômitos, quadros de anemia e emagrecimento repentino. O ideal, porém, é que a doença seja diagnosticada antes mesmo desses sinais aparecerem, o que aumenta as chances de sucesso no tratamento.

 

Não posso deixar de destacar também que 90% dos tumores nesta região começam a partir de pólipos (lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso). Um pólipo demora em média 10 anos para se desenvolver. Uma maneira de prevenir o aparecimento dessas lesões seria a detecção e a remoção antes delas se tornarem malignas, por meio de procedimentos como a colonoscopia. O exame permite ao médico analisar o revestimento interno do intestino grosso e parte do delgado, correspondente ao reto e ao cólon. Ela ajuda também a encontrar inflamações, úlceras e outras alterações do órgão.

 

Se você não tem histórico da doença na família, é importante iniciar o rastreamento regular com a colonoscopia aos 50 anos. Por outro lado, caso já tenha parentes acometidos pela enfermidade, converse com seu médico para saber o melhor momento de iniciar essa investigação.

 

Uma vez constatado câncer colorretal, o que vai determinar a escolha do tratamento é o estadiamento do tumor e se este já apresenta metástase [disseminação da doença para outros órgãos] ou não: tumores menores e que estão restritos ao intestino são apenas operados. Já aqueles que comprometeram muito do intestino ou mesmo avançaram para órgãos ou gânglios próximos são combinados com sessões de quimioterapia por entre três e seis meses. Além disso, tumores próximos do reto podem ser tratados também com radioterapia aliada à cirurgia. Esta última, por sinal, tem ficado cada vez mais moderna com uso da robótica.

 

        Bráulio Nunes – Oncologista clínico do Cetus Oncologia