Minas Gerais é o segundo estado do Brasil com maior estimativa de novos casos de câncer em 2023

No próximo sábado (4), Dia Mundial de Combate ao Câncer, Minas Gerais não tem muito o que comemorar. Isso porque fazemos parte de um triste ranking: segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), até o fim deste ano, devem ser detectados, por aqui, 78.100 novos casos da doença, o que coloca o estado como o segundo do Brasil com a maior estimativa de diagnósticos para 2023. Minas fica atrás apenas de São Paulo, que responde por 181.340 confirmações de neoplasias. As informações, disponíveis na publicação Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil, mostram ainda os estados do Rio de Janeiro (72.380 casos), Rio Grande do Sul (52.620) e Santa Catarina (39.600) na terceira, quarta e quinta colocação, respectivamente.

Um dos fatores que justifica os altos números de Minas Gerais, é justamente a grande dimensão geográfica do estado e suas regiões repletas de contrastes sociais. Somos a quarta maior área territorial do Brasil. Cabem com folga em nosso território, países como França, Alemanha e Espanha. E assim como Minas é grande, é igualmente diversa. Temos, por exemplo, o Norte e o Vale do Jequitinhonha, muito pobres, cuja população ainda carece de acessos básicos a serviços de saúde, enquanto as regiões Central e Sul, por sua vez, possuem infraestrutura em hospitais e profissionais, o que facilita diagnóstico e tratamento.

O levantamento do INCA aponta ainda que os cânceres mais incidentes em 2023, no estado, excluindo o de pele não melanoma (26.010 casos), serão os de próstata (7970) e mama feminina (7670). Esses números seguem uma tendência nacional, já que em todo o Brasil, os tumores de mama feminina e próstata correspondem a 10,5 e 10,2% das detecções para este ano, seguidos do tumor de pele não melanoma, este com 31,3% dos casos.

Prevenção primária é fundamental

Dado o cenário preocupante de detecções da doença para 2023, gostaria de reforçar a importância da prevenção primária como medida capaz de minimizar os riscos de um possível diagnóstico. Ao menos 30% de todos os casos de câncer podem ser evitados com mudanças simples no estilo de vida, segundo afirma o próprio INCA. Isso inclui priorizar o consumo de alimentos naturais, manter o peso de acordo com a idade e altura e realizar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana. Essas são algumas estratégias benéficas que podem prevenir não só os tumores malignos como doenças cardiovasculares e metabólicas.

Para as mulheres, destaco ainda a importância da mamografia de rastreamento, como prevenção secundária ao câncer de mama. O método está entre os exames de rotina recomendados pelo Ministério da Saúde para aquelas entre 50 e 69 anos. Ela [mamografia] é indicada, inclusive, para quem não apresenta sintomas da doença, e deve ser feita a cada dois anos. O mais importante é se conscientizar, já que quanto mais precoce um nódulo for detectado, maiores serão as chances de cura, podendo chegar a mais de 90%.

 

Charles Pádua, Oncologista Clínico