Tumores ginecológicos somam mais de 2.500 casos anuais em Minas Gerais

Outubro, período dedicado à conscientização do câncer que mais acomete e mata mulheres em todo o mundo, já está prestes a terminar. Mas os cuidados que elas devem ter com a saúde não se restringem apenas ao mês 10. Em Minas Gerais, por exemplo, são registrados anualmente 2.570 novos casos de tumores ginecológicos, que compreendem os cânceres de colo do útero, endométrio e ovário. Este número corresponde à cerca de 5% das incidências no Brasil – em todo o país os três juntos somam 29,8 mil novos casos anuais, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O mais comum entre os três é o câncer de colo de útero, que pode ser evitado a partir da vacina contra o papilomavírus humano (HPV), transmitido nas relações sexuais sem proteção ou com múltiplos parceiros, e do exame de Papanicolau, este último responsável por detectar precocemente a doença. A vacina do HPV é disponibilizada no SUS para meninas entre 9 e 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos de idade. Também têm direito ao imunizante, pessoas de ambos os sexos, até os 45 anos, que sejam imunossuprimidos, transplantados e pacientes com câncer.

Já o câncer do corpo do útero (ou endométrio) vem apresentando crescimento de incidência nos últimos anos – Em Minas são 4,82 casos para cada 100 mil mulheres -. Não existe um método eficaz para o rastreamento da enfermidade, sendo a obesidade o maior fator de risco. Os principais sintomas incluem sangramento uterino anormal e desconforto pélvico, que podem alertar a mulher para a necessidade de procurar atendimento médico e, assim, ter mais chances de diagnóstico e tratamento precoces.

O câncer de ovário, por sua vez, é o segundo tumor ginecológico maligno mais comum e o que apresenta a menor taxa de sobrevivência entre os cânceres femininos. É chamado de tumor silencioso por não apresentar sintomas específicos e pela ausência de métodos eficazes de rastreamento. Alterações genéticas podem estar presentes em 25% das pacientes [com câncer de ovário] e a história familiar de câncer de mama e ovário devem sempre ser sinais de alerta. Na maioria dos casos, a doença se manifesta em fase mais avançada, com aumento do volume abdominal e dificuldade de respirar (dispneia). Em alguns casos também pode haver sangramento vaginal.

Dada a dificuldade de detecção precoce deste terceiro tumor, são fundamentais as consultas regulares ao ginecologista, já que por meio da análise profissional torna-se um pouco mais fácil a descoberta. Quando o diagnóstico é positivo, o tratamento deve ser iniciado o quão antes possível, assim como qualquer outro câncer. Os tumores de colo uterino e endométrio podem ser tratados com cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A escolha do tratamento dependerá do estádio clínico da doença. Para os tumores de ovário, os principais tratamentos envolvem cirurgia e quimioterapia.

 

Emanuelle Guedes - Oncologista Clínica